Artigo - O Comex Brasileiro Pós-Pandêmico
- Liga de Comércio Internacional PUC-Rio

- 16 de out. de 2023
- 4 min de leitura
Por: Murilo Passos
Em março de 2020, o mundo foi surpreendido com um vírus que causa infecção respiratória de grave potencial, mais conhecido como "coronavírus", o qual acarretou uma pandemia global com diversos países sofrendo colapsos frente à saúde, política e economia, o Brasil percebeu-se em meio a mais uma crise que agravaria o bem-estar nacional, visto que o país estava se recuperando lentamente dos choques entre a oferta e demanda os quais reduziram a produtividade do crescimento econômico, ocasionadas pelas políticas da Nova Matriz Econômica (NME) a qual foi uma série de medidas heterodoxas no Brasil, as principais características são a intervenção do governo na economia e o aumento dos gastos públicos nos investimentos, fazendo com que a taxa de crescimento do produto potencial da economia brasileira caísse de 4% ao ano para menos de 2% ao ano durante o período de 2014-2017.
Saindo deste sufoco e finalmente começando a respirar aliviado, o Estado voltou a encontrar dificuldades no período pandémico da COVID-19, devido às medidas básicas de prevenção como o não aglomeramento e a necessidade de se manter em isolamento com o objetivo de amenizar o problema de saúde pública, muitos comércios perderam estrutura e tiveram que desistir do seu empreendimento, indústrias de grande porte perceberam uma decrescente no nível de produção o que acabou acarretando em diminuição da exportação. Bens de alta complexidade como carros, turbinas a gás e carros de grande porte para construção foram os principais a sofrerem uma diminuição nas vendas, comparando com o ano de 2019 os produtos exportados no primeiro semestre de 2020 foram inferiores ao ano anterior, havendo ênfase em relação aos meses de abril e maio, em que cada um foi 44,3% e 44,8% inferiores aos respectivos meses em comparação ao ano de 2019.
Com os avanços na vacina e os cuidados tomados, o ano de 2021 obteve um superávit de 50,6% em relação ao mês de maio do ano anterior, o que possibilitou uma melhora em relação à instabilidade criada pelo vírus. Ainda no ano de 2021, foi possível perceber um crescimento dos preços dos commodities e também uma alta no dólar o que possibilitou um excedente de US$ 61 bilhões segundo divulgado pelo Ministério da Economia, onde o próprio divulgou os principais parceiros comerciais do Brasil, dando destaque para China com US$ 87,696 bilhões, Estados Unidos sendo o segundo maior parceiro com US$ 31,104 bilhões, a Argentina com US$ 11,881 bilhões, Holanda com US$ 9,304 bilhões e não menos importante o Chile com US$ 6,998 bilhões, mesmo a China sendo a maior parceira do Brasil o país asiatico obteve um aumento de 28%, destacando-se também a alta nas exportações para o EUA com 44,9% e Argentina com 40% em relação ao ano anterior.
Pode se dizer que o ano de 2021 foi próspero para o cenário do comércio exterior brasileiro, porém em fevereiro de 2022 as exportações cresceram cerca de 108,9% em relação ao ano anterior, assim a balança comercial fechou em US$ 4.05 bilhões, o que mostra uma superação grande com relação ao ano anterior em poucos meses. Durante este mesmo ano, as exportações subiram cerca de 19,1% e as importações 24,3%, levando a um crescimento de US$ 61,8 bilhões. Em dezembro o saldo com a China foi maior do que no mesmo mês de 2021. O resultado foi que o superávit comercial do Brasil em 2022 ficou ligeiramente maior do que em 2021, uma diferença de US$ 400 milhões.
É possível analisar que o Brasil passou por altas volatilidades nos últimos anos em relação a sua economia, passou por uma crise interna, estava se recuperando dos choques de oferta e demanda e acabou enfrentando momentos complicados durante a pandemia do COVID-19. Com isso, o país não conseguiu prosperar o suficiente para que possa ter uma estabilidade duradoura e conseguir ficar sem sofrer com as altas e baixas do mercado internacional. O comércio exterior brasileiro necessita fortalecer novas parcerias e intensificar as antigas, desenvolvendo estratégias para a volta da economia que estava estagnada. Para que haja uma progressão na corrente comercial deve-se intensificar a exportação dos commodities e voltar a atenção para a agroindústria que são os maiores ativos do país, porém também é necessário que se encontre outros mercados para se industrializar, assim conseguindo uma gama maior de ativos para o Brasil.
Pelo fato do país possuir suas duas maiores fontes de lucro em matéria-prima isso o torna muito suscetível a crescer ou diminuir bastante no mercado internacional. Visto que, com a pandemia, além de alguns países adotarem uma política econômica protecionista pelo momento ser de grande incerteza, com o intuito de privilegiar a indústria nacional, o país sulamericano possui uma defasagem em relação a saúde pública o que acabou acarretando em uma necessidade de exportar um alto número de vacina e havendo uma demasiada espera para poder comprar o imunizante.
É indubitável que cada vez mais a tecnologia se fará presente na globalização, algo que o Brasil tem a necessidade de buscar cada vez mais pelo fato de ser um país altamente multilateral e bem relacionado. Para que o próprio consiga se mostrar cada vez mais presente também é preciso incrementar sua indústria de forma que gere um maior alcance de mercados consumidores nos próximos anos.
O futuro brasileiro pode ser de muitos frutos, já que cria-se um cenário positivo na crescente da balança comercial brasileira, visando mais exportações para outros países. Criando assim, uma boa chance do país ter um comex valorizado cada vez mais. Espera-se que esse novo governo possa voltar a introduzir o Brasil novamente às grandes mesas de negociação, por ser um território que vem emergindo de forma efetiva.
Referências:
DOURADO ROCHA, M.; AMORIM NEVES, P. V. Relações comerciais entre o Brasil e seus principais parceiros econômicos: Desafios pós-pandemia do COVID-19. Repositório Institucional AEE. Disponível em: http://repositorio.aee.edu.br/handle/aee/19791. Acesso em: 31/03/2022
LOPES DA SILVA, M.; ABBADE DA SILVA, R. Economia brasileira pré, durante e pós pandemia do COVID-19: Impactos e reflexões. Fapergs. Disponível em: https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/820/2020/06/Textos-para-Discuss%C3%A3o-07-Economia-Brasileira-Pr%C3%A9-Durante-e-P%C3%B3s-Pandemia.pdf. Acesso em: 31/03/2022
HOLANDA BARBOSA FILHO, F. A crise econômica de 2014/2017. Scielo. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/BD4Nt6NXVr9y4v8tqZLJnDt/?lang=pt. Acesso em: 31/03/2022
Pandemia de COVID-19 reduz exportações brasileiras de bens de alta complexidade. Jornal da USP, São Paulo, 11/08/2020. Disponível em:
https://jornal.usp.br/ciencias/pandemia-de-covid-19-reduz-exportacoes-brasileiras-de-bens-de-alta-complexidade/. Acesso em: 31/03/2022
O superávit comercial do Brasil em 2022 fica ligeiramente superior ao de 2021. FGV IBRE, Rio de Janeiro, 16/01/2023. Acesso em: 31/03/2022
Corrente de comércio do Brasil chega a US $510,32 bilhões e supera todo valor de 2021. Ministério da Economia, 01/11/2022. Disponível em:




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