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DO AGRONEGÓCIO AO PETRÓLEO: OS PILARES DO COMÉRCIO ENTRE BRASIL E EMIRADOS ÁRABES UNIDOS

Por: Luciana Crivellari



Resumo: 


Nas últimas décadas, Brasil e Emirados Árabes Unidos estreitaram suas relações econômicas e diplomáticas, consolidando uma parceria cada vez mais relevante. O comércio entre os dois países tem crescido com a exportação brasileira de carnes, açúcar, grãos e minerais, enquanto os Emirados fornecem petróleo, fertilizantes e produtos petroquímicos. Além disso, o mercado halal tem se destacado como uma importante oportunidade para ampliar os negócios e fortalecer os laços comerciais. Apesar dos avanços, a parceria enfrenta desafios, como as tensões geopolíticas no Oriente Médio, riscos na cadeia de suprimentos global e exigências sanitárias e de certificação para exportação. Diante desse cenário, o estudo analisa como essa relação tem contribuído para o crescimento do comércio bilateral, a atração de investimentos e a criação de novas oportunidades de cooperação entre os dois países.



1. INTRODUÇÃO


            Nas últimas décadas, as relações entre o Brasil e os Emirados Árabes Unidos têm se fortalecido de maneira significativa, consolidando o país árabe como um dos principais parceiros comerciais brasileiros no Oriente Médio. Entre os produtos mais exportados pelo Brasil para os Emirados destacam-se as carnes bovina e de frango, o açúcar, os grãos e os produtos minerais. Em contrapartida, as exportações emiráticas para o mercado brasileiro concentram-se em petróleo, fertilizantes, produtos petroquímicos e serviços relacionados aos setores de logística e aviação  (Emirados Árabes Unidos, s.d.). Nesse contexto, também se destaca a crescente relevância do mercado halal para o aprofundamento das relações econômicas entre os dois países, especialmente no segmento de alimentos e produtos certificados para atender às exigências dos consumidores muçulmanos (CEPEA, 2020). Dessa forma, enquanto o Brasil busca ampliar sua inserção internacional por meio da diversificação de parceiros comerciais e da atração de investimentos estrangeiros, os Emirados Árabes Unidos implementam estratégias voltadas à redução de sua dependência econômica do petróleo e à expansão de sua atuação em mercados emergentes, contribuindo para o fortalecimento dos laços diplomáticos e comerciais, além de gerar novas oportunidades de cooperação e desenvolvimento mútuo.

                    Apesar do fortalecimento das relações econômicas e diplomáticas entre Brasil e Emirados Árabes Unidos, alguns desafios ainda podem impactar a estabilidade e a expansão dessa parceria. Entre os principais fatores, destacam-se as tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente em razão dos conflitos regionais e dos ataques iranianos direcionados aos Emirados Árabes Unidos, bem como os riscos associados à cadeia de suprimentos internacional decorrentes da influência exercida pelo Irã sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo e mercadorias (PORSCH, 2026). Além disso, os exportadores brasileiros enfrentam a necessidade de atender a rigorosas exigências sanitárias, fitossanitárias e de certificação impostas pelo mercado árabe, sobretudo no segmento halal, que podem elevar os custos operacionais e demandar adaptações nos processos produtivos para garantir a conformidade com os padrões exigidos pelos consumidores e autoridades regulatórias da região. Logo as negociações entre o Mercosul e os Emirados Árabes Unidos têm contemplado discussões relacionadas à harmonização de medidas sanitárias e à redução de barreiras técnicas ao comércio, visando facilitar o intercâmbio econômico e ampliar as oportunidades de cooperação bilateral (SECOM, 2024).

           Diante desse cenário, este artigo tem como objetivo analisar as relações econômicas e comerciais entre o Brasil e os Emirados Árabes Unidos, identificando os principais fatores que impulsionam a aproximação entre os dois países e avaliando seus impactos para ambas as economias. Busca-se, ainda, compreender de que maneira a parceria estratégica estabelecida entre os países têm contribuído para o fortalecimento do comércio bilateral, a ampliação dos fluxos de investimento e a consolidação de oportunidades de cooperação em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico mútuo.



2. PANORAMA HISTÓRICO DAS RELAÇÕES BILATERAIS


          As relações diplomáticas entre o Brasil e os Emirados Árabes Unidos foram estabelecidas em 1974, poucos anos após a criação da federação emiradense, em 1971. Desde então, a cooperação bilateral tem se desenvolvido de forma gradual, sustentada por interesses econômicos, comerciais e políticos convergentes. A aproximação entre os dois países ganhou maior relevância a partir dos anos 2000, período em que os Emirados Árabes Unidos intensificaram sua projeção internacional, enquanto o Brasil buscava diversificar suas parcerias externas e fortalecer seus vínculos com os países do Oriente Médio. No âmbito diplomático, o Brasil inaugurou sua embaixada em Abu Dhabi em 1978, ao passo que os Emirados Árabes Unidos estabeleceram, em 1991, sua primeira embaixada na América Latina, localizada em Brasília (MRE, 2024).

           Impulsionado pelo crescimento expressivo do comércio bilateral ao longo das últimas décadas, os Emirados Árabes Unidos consolidaram-se como o segundo principal parceiro comercial do Brasil no Oriente Médio em 2024 (MRE, 2024). As exportações brasileiras para o mercado emirático concentram-se, principalmente, em carnes, açúcar, minério de ferro e produtos agrícolas, enquanto as importações provenientes dos Emirados são compostas majoritariamente por combustíveis, fertilizantes e produtos petroquímicos. Além da relevância comercial, os Emirados Árabes Unidos têm se destacado como um importante centro logístico e financeiro para empresas brasileiras interessadas em expandir suas operações para os mercados do Oriente Médio, da África e da Ásia. Nesse contexto, destaca-se a criação da Sadia Halal, resultado de uma joint venture entre a empresa brasileira BRF e a saudita Halal Products Development Company (HPDC), iniciativa voltada ao fortalecimento da presença de produtos halal nos mercados da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos (ERLICH, 2026), evidenciando o potencial estratégico da cooperação econômica entre os dois países e reforça a importância do setor halal como vetor de integração comercial e expansão internacional.

              Nos últimos anos, as relações bilaterais entre o Brasil e os Emirados Árabes Unidos têm sido fortalecidas por meio da intensificação do diálogo diplomático, da realização de visitas oficiais de alto nível, da celebração de acordos de cooperação e da ampliação de investimentos estratégicos. Como reflexo desse aprofundamento das relações, a corrente de comércio entre os dois países ultrapassou US$ 4,3 bilhões em 2023 (MRE, 2024). Além da dimensão econômica, a cooperação bilateral tem se expandido para áreas estratégicas, como a agenda climática internacional, em que os países têm atuado de forma coordenada para garantir a continuidade das discussões e compromissos assumidos entre a COP28, realizada em Dubai, e a COP30, que ocorreu em Belém. Durante a COP28, os dois países mantiveram estreita colaboração nas negociações multilaterais, contribuindo para a adoção do chamado Consenso dos Emirados Árabes Unidos, acordo aprovado pelos 198 países participantes da conferência (MRE, 2024). Outro marco relevante foi o início das negociações para a celebração de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e os Emirados Árabes Unidos, anunciado em 2024 (SECOM, 2024). A iniciativa tem como objetivo reduzir barreiras tarifárias e não tarifárias, ampliar os fluxos de comércio e investimento e aprofundar a integração econômica entre as partes, evidenciando o interesse mútuo em consolidar uma parceria estratégica de longo prazo, capaz de promover benefícios econômicos, fortalecer a cooperação institucional e ampliar as oportunidades de desenvolvimento para ambos os países.



3. O AGRONEGÓCIO COMO PILAR DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS


               O agronegócio brasileiro ocupa posição estratégica no comércio exterior do Brails e constitui um dos principais pilares da relação econômica com os Emirados Árabes Unidos, sendo as exportações de carne bovina e de carne de frango fundamentais no fluxo comercial bilateral, em razão da elevada demanda por proteínas animais na região e da competitividade internacional dos produtos brasileiros. Além disso, esses produtos atendem às exigências específicas do mercado islâmico, especialmente no que se refere à certificação halal, requisito indispensável para sua comercialização e ampla aceitação nos países de maioria muçulmana. A relevância desse segmento pode ser observada nos dados de comércio exterior nos quais motram que, em 2022, o Brasil exportou 445 mil toneladas de carne de frango para os Emirados Árabes Unidos, movimentando aproximadamente US$ 953 milhões. Somente o emirado de Dubai importou cerca de 18 mil contêineres do produto, enquanto o total destinado aos Emirados alcançou 22 mil contêineres (O PRESENTE RURAL, 2023), reforçando o papel do país como fornecedor estratégico de alimentos para a região. Além das proteínas animais, o açúcar brasileiro também ocupa posição de destaque na pauta exportadora destinada aos Emirados Árabes Unidos, consolidando-se como um dos principais produtos agrícolas comercializados entre os dois países. Da mesma forma, a soja representa uma das commodities mais relevantes do agronegócio nacional, em que é exportada tanto na forma de grão quanto processada, possuindo ampla aplicação na produção de óleos vegetais e de rações para alimentação animal, integrando cadeias produtivas essenciais para a segurança alimentar global. 

           Ademais, a segurança alimentar constitui uma questão estratégica para os Emirados Árabes Unidos em razão das limitações naturais que restringem sua capacidade de produção agrícola, no qual o clima predominantemente árido, a escassez de recursos hídricos e a reduzida disponibilidade de terras agricultáveis dificultam o desenvolvimento de uma agricultura capaz de atender à demanda interna por alimentos (VALOR ECONÔMICO, 2026). Como consequência, o país adota uma estratégia fortemente baseada na importação de produtos agroalimentares, buscando assegurar a estabilidade do abastecimento nacional e minimizar os riscos associados à insegurança alimentar. Assim, os Emirados Árabes Unidos têm investido na diversificação de fornecedores internacionais e na construção de parcerias comerciais de longo prazo, visando garantir maior resiliência às suas cadeias de suprimento. O Brasil destaca-se como um parceiro estratégico nesse processo, em virtude de sua elevada capacidade produtiva, da regularidade no fornecimento e da ampla diversidade de produtos agropecuários exportáveis.



4. PETRÓLEO E ENERGIA: O PAPEL ESTRATÉGICO DOS EMIRADOS


        Enquanto o agronegócio constitui um dos principais pilares das exportações brasileiras, o petróleo e a energia representam o eixo central da economia dos Emirados Árabes Unidos e sua principal forma de inserção no mercado internacional. A descoberta de reservas de petróleo em 1958 na região de Abu Dhabi, seguida posteriormente por achados em Dubai e Sharjah, transformou o país em um dos principais produtores de energia do mundo (MEDEIROS, 2025), garantindo elevada geração de receitas e possibilitou uma rápida modernização econômica e urbana, além de viabilizar investimentos expressivos em infraestrutura, tecnologia, turismo e estratégias de diversificação econômica. Apesar dos esforços recentes voltados à redução da dependência do setor de hidrocarbonetos, o petróleo e o gás natural ainda desempenham papel estratégico na economia nacional e na formulação da política externa dos Emirados Árabes Unidos, mantendo sua relevância como base estrutural do desenvolvimento econômico do país.

        Além da exportação de petróleo bruto, os Emirados Árabes Unidos também comercializam derivados energéticos e realizam investimentos em cadeias globais relacionadas ao setor de energia. As empresas estatais emiradenses atuam em diversas regiões do mundo, ampliando sua presença no mercado energético internacional por meio da participação em refinarias, da distribuição de combustíveis e do desenvolvimento de infraestrutura energética em diferentes países, contribuindo para o fortalecimento da influência econômica do país e para a maior estabilidade de suas receitas, mesmo diante de oscilações nos preços internacionais do petróleo. Paralelamente, o país tem intensificado investimentos em fontes alternativas de energia, além de tecnologias de baixo carbono, ao mesmo tempo em que busca maximizar o aproveitamento econômico de suas reservas de hidrocarbonetos enquanto a demanda global ainda se mantém elevada. Desse modo, Christiana Figueres destaca que a volatilidade do mercado de combustíveis fósseis tende a acelerar a transição energética, ao afirmar que “a energia renovável não é apenas uma solução climática, é uma estratégia de estabilidade econômica diante de mercados fósseis cada vez mais imprevisíveis” (Cilo, 2026). No caso brasileiro, essa dinâmica se reflete principalmente na importação de petróleo e derivados, fundamentais para os setores de transporte e industrial, o que mostra a interdependência entre a matriz energética emiradense e a economia brasileira.

               Nos últimos anos, a relação entre os países tem se ampliado também no campo da cooperação energética e da transição para fontes renováveis, onde ambos têm buscado diversificar suas matrizes energéticas diante das pressões globais relacionadas à sustentabilidade e à redução das emissões de carbono. O Brasil, com uma matriz energética relativamente mais limpa e elevada participação de fontes como hidrelétrica, biocombustíveis e energia eólica, apresenta-se como um parceiro estratégico em iniciativas voltadas à inovação e à transição energética. Por sua vez, os Emirados Árabes Unidos têm intensificado investimentos em energia solar e tecnologias de baixo carbono, a fim de reduzir a dependência exclusiva dos hidrocarbonetos e ampliar sua inserção em um cenário energético em transformação. Nesse contexto, o Memorando de Entendimento firmado entre Brasil e Emirados Árabes Unidos estabelece uma base institucional para a cooperação bilateral no desenvolvimento e na expansão de energias renováveis e novas fontes energéticas, com ênfase na transição para sistemas de baixas emissões, prevendo a colaboração em projetos de energia solar e eólica, hidrogênio verde e de baixo carbono, biocombustíveis, tecnologias de descarbonização, além de sistemas de armazenamento de energia e do intercâmbio regulatório e técnico entre os dois países (MME, 2026). Essa convergência abre espaço para o desenvolvimento de parcerias em pesquisa, inovação tecnológica e investimentos conjuntos em energias renováveis, indicando uma possível ampliação da relação bilateral para além do eixo tradicional centrado no comércio de petróleo e agronegócio.



5. DESAFIOS E OPORTUNIDADES


          Apesar do crescimento das relações econômicas entre os países nas últimas décadas, o comércio bilateral ainda enfrenta desafios que podem restringir sua expansão. Ao mesmo tempo em que as transformações da economia global criam oportunidades para o aprofundamento e a diversificação dessa parceria, questões relacionadas a barreiras regulatórias, dependência de commodities e exigências de sustentabilidade figuram entre os principais fatores que condicionam o futuro das relações comerciais entre os dois países. No setor agropecuário, por exemplo, os produtos exportados devem atender a rigorosos padrões de qualidade, rastreabilidade e certificação, incluindo requisitos específicos do mercado islâmico, como a certificação halal. Além disso, diferenças regulatórias e entraves burocráticos podem elevar os custos operacionais para empresas que atuam em ambos os mercados. 

               Outro desafio relevante diz respeito à elevada concentração do comércio bilateral em produtos primários e commodities, o que torna a relação comercial mais vulnerável às oscilações dos preços internacionais e às variações da demanda global. Em períodos de queda nos preços dessas commodities, as receitas de exportação de ambos os países podem ser significativamente impactadas, evidenciando a necessidade de maior diversificação da pauta comercial e produtiva. Além disso, os Emirados Árabes Unidos estabeleceram a meta de se tornar o país com maior segurança alimentar até 2051, conforme previsto em sua Estratégia Nacional de Segurança Alimentar (FONSECA, 2023), a fim de fortalecer produção interna e o aumento da autossuficiência em determinados produtos, o que pode, no longo prazo, reduzir a dependência de importações e, consequentemente, impactar o volume de exportações brasileiras destinadas ao mercado emiradense.

          Apesar disso, há diversas oportunidades para a ampliação e diversificação do comércio entre o Brasil e os Emirados Árabes Unidos, como os setores de tecnologia, logística, infraestrutura, indústria de transformação, turismo, serviços financeiros e economia digital, que apresentam potencial de crescimento e cooperação bilateral. Os Emirados Árabes Unidos, em razão de sua posição geoestratégica entre Europa, Ásia e África, podem desempenhar o papel de plataforma de acesso para produtos e empresas brasileiras nos mercados do Oriente Médio e de regiões adjacentes, investindo em eventos como a Expo Dubai 2020, sendo considerada Grande Exposição dos Trabalhos da Indústria de Todas as Nações (Queiroz, 2021). De forma complementar, os investimentos emiradenses em infraestrutura, energia e inovação podem contribuir de maneira relevante para o desenvolvimento econômico brasileiro, especialmente em áreas de maior complexidade tecnológica. Nesse contexto, a ampliação das relações comerciais para setores de maior valor agregado pode reduzir a dependência de commodities e fortalecer uma parceria econômica mais equilibrada, sustentável e orientada ao longo prazo.

            Além disso, a decisão dos Emirados Árabes Unidos de se afastarem da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) representa um ponto de inflexão relevante para o mercado global de energia, ao levantar questionamentos sobre o futuro da coordenação entre grandes produtores de petróleo. Segundo Robin Mills, especialista em energia do Oriente Médio, tal movimento pode indicar um enfraquecimento progressivo da coesão interna do grupo, com potencial para incentivar outros países membros a reavaliarem os mecanismos de coordenação, especialmente aqueles com maior capacidade de expansão produtiva (Cilo, 2026). Desse modo, a maior autonomia dos Emirados para definir seus níveis de produção pode, em tese, resultar em um aumento da oferta global de petróleo, exercendo pressão sobre os preços internacionais. Por outro lado, a redução da coordenação entre os países da OPEP tende a limitar a capacidade do grupo de atuar de forma articulada em cenários de crise, o que pode intensificar a volatilidade do mercado energético. Paralelamente, esse cenário reforça os argumentos econômicos em favor da transição energética, em que o país árabe têm ampliado investimentos em energia solar, hidrogênio e tecnologias de baixo carbono, ao mesmo tempo em que buscam maximizar o valor econômico de suas reservas de petróleo enquanto ainda existe demanda global significativa (Cilo, 2026).

       As crescentes preocupações globais com as mudanças climáticas e o desenvolvimento sustentável têm influenciado fortemente as relações comerciais internacionais, onde consumidores, governos e investidores passaram a demandar, com maior intensidade, práticas produtivas ambientalmente responsáveis, especialmente nos setores agrícola e energético. Assim, o Brasil enfrenta o desafio de demonstrar a sustentabilidade de seu agronegócio, buscando conciliar aumento de produtividade com preservação ambiental e conformidade com padrões internacionais de sustentabilidade. Por sua vez, os Emirados Árabes Unidos têm avançado em estratégias de diversificação econômica e na ampliação de investimentos em fontes de energia mais limpas, com o objetivo de reduzir gradualmente sua dependência dos combustíveis fósseis, abrindo novas possibilidades de cooperação bilateral em áreas como energias renováveis, inovação tecnológica, segurança alimentar sustentável e financiamento verde. Assim, a sustentabilidade deixa de ser apenas um desafio regulatório e passa a constituir uma agenda estratégica para o fortalecimento e a ampliação das relações entre os dois países no longo prazo.



6. CONSIDERAÇÕES FINAIS E PERSPECTIVAS FUTURAS


                  A relação comercial entre Brasil e Emirados Árabes Unidos, portanto, demonstra que a complementaridade econômica entre os dois países constitui a principal base de sua parceria estratégica. Enquanto o Brasil se destaca como um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, os Emirados Árabes Unidos consolidam-se como importantes fornecedores de petróleo, derivados energéticos e investimentos internacionais, evidenciando como os setores do agronegócio e da energia funcionam como pilares centrais do comércio bilateral. As perspectivas para o futuro indicam uma tendência de crescimento e fortalecimento de suas relações econômicas, com o aumento da demanda por alimentos e a busca contínua dos Emirados por fornecedores confiáveis, e a relevância do país árabe no mercado energético internacional, mantendo sua posição estratégica para o Brasil. Além disso, o crescimento dos fluxos de investimento, da cooperação empresarial e da integração logística tende a ampliar as oportunidades de negócios entre os dois mercados.

             Dessa forma, novos acordos comerciais, investimentos em infraestrutura, facilitação de negócios e parcerias em inovação podem contribuir para reduzir barreiras e fortalecer ainda mais as relações bilaterais, além de poder avançar em áreas emergentes, como segurança alimentar, tecnologia agrícola, energias renováveis e desenvolvimento sustentável, ampliando o alcance da relação para além dos setores tradicionais de comércio. Essa posição favorece a construção de parcerias que transcendem o comércio bilateral, contribuindo para a integração entre diferentes regiões do mundo e fortalecendo a cooperação econômica internacional em um contexto de crescente interdependência global.

                   Contudo, embora os setores agrícola e energético continuem sendo centrais, o futuro da parceria tende a ser marcado pela diversificação econômica e pela adaptação às novas demandas globais, em que emas como inovação tecnológica, sustentabilidade, transição energética e segurança alimentar deverão ganhar cada vez mais espaço na agenda bilateral. Nesse cenário, Brasil e Emirados Árabes Unidos possuem condições favoráveis para aprofundar sua cooperação e ampliar sua influência econômica internacional. A combinação entre recursos naturais, capacidade produtiva, investimentos e visão estratégica indica que a parceria entre os dois países continuará desempenhando um papel relevante no comércio global nas próximas décadas.



FONTES BIBLIOGRÁFICAS 


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