SEGURANÇA LOGÍSTICA E ROTAS DE COMÉRCIO: AS DISPUTAS NO ESTREITO DE ORMUZ E A COMPETITIVIDADE DAS EXPORTAÇÕES AGRÍCOLAS E BRASILEIRAS
- Liga de Comércio Internacional PUC-Rio

- 17 de jun.
- 13 min de leitura
Por: Ana Clara Alves Mont’ Alvão Fialho, Isaque Augusto e Luciana Crivellari.

Resumo:
A segurança das rotas marítimas internacionais é determinante para a competitividade do agronegócio brasileiro. O Estreito de Ormuz representa um ponto de vulnerabilidade: por ali passam tanto o escoamento de commodities aos mercados do Oriente Médio quanto o abastecimento de insumos essenciais à produção rural. Disrupções nessa rota elevam o frete, ampliam prazos de entrega e pressionam os custos de produção, reduzindo as margens dos exportadores. Como estratégia de mitigação, empresas têm diversificado rotas e mercados de destino. Este artigo analisa os impactos das tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre a logística do agronegócio nacional e os desafios para sustentar a competitividade brasileira diante da crescente instabilidade global.
1. INTRODUÇÃO
Mesmo séculos atrás, as rotas marítimas já ocupavam posição central no comércio internacional, funcionando como os principais meios de circulação de mercadorias entre diferentes regiões do mundo. Atualmente, essa relevância permanece evidente, uma vez que o transporte marítimo continua sendo responsável pelo fluxo contínuo de produtos, energia e insumos estratégicos em escala global. Estima-se que aproximadamente 80% do comércio mundial seja realizado por via marítima (Monitor Mercantil, 2026), o que evidencia a dependência da economia internacional em relação à segurança e à previsibilidade dessas rotas. Nesse contexto, pontos estratégicos, como canais e estreitos marítimos, assumem papel decisivo na dinâmica do comércio global, pois qualquer interrupção nesses pontos pode desencadear efeitos em cadeia sobre preços, cadeias produtivas e fluxos logísticos internacionais.
Entre esses pontos estratégicos, o Estreito de Ormuz destaca-se como uma das passagens marítimas mais relevantes do planeta, estando localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, concentrando grande parcela do transporte mundial de petróleo e gás natural e desempenhando papel fundamental no abastecimento energético global. Sua importância geopolítica faz com que qualquer instabilidade na região tenha potencial para provocar disrupções logísticas de grande escala, afetando diretamente a fluidez do comércio internacional. Esse cenário pode ser observado em conflitos recentes, nos quais o bloqueio quase total do estreito pelo Irã compromete diariamente o fluxo de aproximadamente 15 milhões de barris de petróleo bruto e 5 milhões de barris de derivados de petróleo destinados aos mercados globais, segundo o diretor da Agência Internacional de Energia (CNN Brasil, 2026).
A partir disso, as disrupções no Estreito de Ormuz podem impactar a cadeia de valor e o comércio internacional de diversos países, incluindo o Brasil, especialmente no que se refere à competitividade das exportações agrícolas. Embora o país não dependa diretamente dessa rota para escoar seus produtos, sua inserção nas cadeias globais de produção e os efeitos indiretos sobre os custos de frete, seguros marítimos e preços da energia tornam a economia brasileira vulnerável às consequências sistêmicas dessas instabilidades. Como exemplo, um levantamento realizado pela consultoria Datamar aponta que cerca de 158,3 mil contêineres partiram de portos brasileiros com destino à Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque e Kuwait no ano anterior (Springer, 2026).
Diante desse cenário, este artigo tem como objetivo analisar a relação entre segurança logística e rotas de comércio, com foco nas disrupções no Estreito de Ormuz, investigando seus possíveis impactos sobre o comércio internacional e, em particular, sobre a competitividade das exportações agrícolas brasileiras. Parte-se da compreensão de que a estabilidade das rotas marítimas é essencial para o funcionamento das cadeias globais de suprimentos, de modo que conflitos ou bloqueios em pontos estratégicos podem provocar aumentos nos custos logísticos, oscilações nos preços da energia e atrasos no transporte internacional. Portanto, busca-se evidenciar como eventos geopolíticos localizados podem gerar repercussões em escala global, afetando mercados, cadeias produtivas e estratégias de inserção internacional do Brasil, especialmente em um setor altamente dependente da eficiência logística, como o agronegócio.
2. DISRUPÇÕES NO ESTREITO DE ORMUZ
O Estreito de Ormuz, responsável pela ligação entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, configura-se como uma das mais importantes rotas do comércio marítimo internacional, por onde circula mais de 30% da produção mundial de petróleo (BBC, 2025). Historicamente, esteve associado à expansão de impérios, ao desenvolvimento de rotas comerciais e à formulação de estratégias militares, evidenciando sua relevância geopolítica ao longo dos séculos. Na atualidade, mesmo diante dos avanços tecnológicos e diplomáticos, a região continua ocupando posição central nas discussões internacionais em razão das disputas territoriais e da elevada dependência energética global. Assim, o controle, a segurança e a garantia da livre navegação pelo estreito permanecem como questões estratégicas para as principais nações produtoras e consumidoras de petróleo. Além de sua intensa movimentação petrolífera, o estreito exerce papel fundamental no equilíbrio energético mundial, uma vez que a estabilidade dessa rota influencia diretamente os custos de transporte e os preços do barril de petróleo no mercado internacional. Dessa forma, países consumidores como China, Japão, Índia e parte das nações europeias dependem do fluxo seguro pelo canal para assegurar o funcionamento de suas matrizes energéticas (Correio Braziliense, 2025).
Contudo, as crescentes tensões na região têm provocado instabilidades de grande escala, intensificando os impactos políticos e econômicos em nível internacional. A decisão do Irã de restringir o trânsito de embarcações pelo Estreito de Ormuz, em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos e Israel, reforçou preocupações históricas de analistas geopolíticos e formuladores de políticas energéticas acerca das vulnerabilidades dos sistemas nacionais de abastecimento, frequentemente estruturados em redes que ultrapassam fronteiras territoriais. Além disso, a interrupção no fluxo marítimo afetou de maneira significativa o fornecimento de derivados e insumos estratégicos vinculados à cadeia de petróleo e gás, como fertilizantes nitrogenados, hélio e enxofre. Considerando a relevância dos países do Oriente Médio na oferta desses produtos, os efeitos do bloqueio extrapolaram o setor energético, alcançando cadeias produtivas essenciais, como a agricultura e a indústria química (Clavijo Vitto, 2026).
No caso do Brasil e da América do Sul, observa-se uma elevada dependência do modal rodoviário para a realização do comércio regional. Diferentemente de regiões como Europa e Ásia, nas quais ferrovias e sistemas de cabotagem absorvem parcela significativa do transporte de cargas, os caminhões permanecem como principal meio de circulação de mercadorias no contexto sul-americano. Em razão disso, oscilações no preço do diesel tendem a impactar de maneira mais direta e intensa os custos logísticos entre países como Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile, quando comparados a outras regiões do mundo. Nesse cenário, empresas que operam com contratos de frete fixo ou de longo prazo necessitam revisar mecanismos de reajuste vinculados ao preço do combustível, enquanto operações no mercado spot refletem de forma mais imediata a volatilidade dos custos, podendo representar tanto oportunidades quanto riscos, conforme o momento da contratação. Além disso, rotas estratégicas de fronteira, como Uruguaiana, Foz do Iguaçu e Jaguarão, apresentam sensibilidade ainda maior às variações no diesel devido à longa extensão dos trajetos e à necessidade de coordenação aduaneira nas operações transfronteiriças (Transmaas, 2026).
Desse modo, observam-se impactos significativos já em curso, bem como potenciais desdobramentos futuros decorrentes dos conflitos em andamento. Um exemplo dessas repercussões foi a declaração do diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Qu Dongyu, ao afirmar que a disponibilidade e a acessibilidade dos alimentos estão sob ameaça, destacando que a crise afeta todos os insumos agrícolas, incluindo produtos químicos, máquinas e fertilizantes. Segundo Dongyu, em comunicação ao secretário-geral da ONU, António Guterres, a situação poderá gerar “consequências de longo prazo para a agricultura”, mesmo que o conflito seja encerrado imediatamente. Nesse contexto, o Estreito de Ormuz permanece como um dos corredores marítimos mais estratégicos do mundo, funcionando como principal via de conexão entre o Golfo Pérsico e o oceano aberto (ONU News, 2026).
3. IMPLICAÇÕES NAS EXPORTAÇÕES AGRÍCOLAS BRASILEIRAS
Nesse contexto, as disrupções no Estreito de Ormuz têm provocado um aumento significativo nos custos logísticos internacionais, especialmente no transporte marítimo, ao elevar os fretes, os prêmios de seguro de guerra e os tempos de trânsito das mercadorias. Esse encarecimento resulta da maior percepção de risco nas rotas e da necessidade de desvios operacionais, pressionando diretamente os custos do comércio internacional. Na rota Ásia–Brasil, por exemplo, os fretes registraram aumentos entre US$800 e US$1.000 por contêiner, chegando, em cenários mais críticos, a cerca de US$3.100 (Valor Econômico, 2026; Economic News Brasil, 2026). Diante disso, considerando que as exportações agrícolas brasileiras dependem fortemente do modal marítimo e operam com margens reduzidas, esse aumento comprime a rentabilidade dos exportadores e diminui sua competitividade frente a concorrentes com estruturas logísticas mais eficientes ou maior proximidade dos mercados consumidores.
Além disso, esse cenário é reforçado pelo canal energético, que transmite rapidamente os efeitos da instabilidade para os preços do petróleo. Em momentos de escalada geopolítica, esses preços tendem a subir de forma imediata, refletindo o risco de interrupção da oferta global. No caso brasileiro, tal movimento se converte no encarecimento dos combustíveis, com impacto direto sobre o transporte interno. Como o país depende majoritariamente do modal rodoviário, o aumento do preço do diesel — responsável por parcela relevante do custo do frete — eleva o custo de escoamento da produção agrícola até os portos. Nesse sentido, esse encarecimento do trecho interno, frequentemente denominado custo “da fazenda ao porto”, agrava a perda de competitividade no comércio internacional.
Adicionalmente, um elemento ainda mais estrutural está presente na elevada dependência de fertilizantes importados. Esse fator torna o agronegócio brasileiro particularmente vulnerável a choques externos, sobretudo em regiões geopoliticamente sensíveis, como o Oriente Médio. Tal dependência, especialmente em insumos como potássio e fertilizantes nitrogenados, implica que crises internacionais se traduzam rapidamente em aumentos expressivos nos custos de produção, como observado recentemente no mercado de ureia (Globo Rural, 2026). Diferentemente dos impactos logísticos, esse efeito incide diretamente sobre a base produtiva, elevando os custos antes mesmo da exportação ocorrer e comprometendo a competitividade desde a origem da cadeia.
Paralelamente, a reconfiguração das rotas marítimas intensifica esse quadro de instabilidade. Em momentos de maior tensão, a redução significativa do tráfego no Estreito de Ormuz força o desvio de embarcações para trajetos mais longos, ampliando o tempo de transporte e a imprevisibilidade das operações (O Econômico, 2026). Como resultado, esse prolongamento das rotas eleva o lead time das exportações, exige maior capital de giro por parte das empresas e aumenta o risco operacional. Nesse contexto, a menor previsibilidade logística compromete a confiabilidade do Brasil como fornecedor, podendo resultar na perda de contratos internacionais, sobretudo em cadeias mais sensíveis a prazos.
Diante da convergência desses fatores — custos logísticos mais elevados, insumos mais caros e prazos ampliados —, observa-se uma pressão negativa consistente sobre a competitividade das exportações brasileiras. Esse encarecimento ao longo de toda a cadeia produtiva e logística reduz margens e eleva preços finais, posicionando o país em desvantagem relativa frente a economias com maior eficiência logística, como os Estados Unidos, ou com vantagens geográficas específicas, como a Argentina. Ademais, países menos dependentes de insumos importados tendem a apresentar maior resiliência frente a choques geopolíticos, mantendo maior estabilidade em seus custos.
Por fim, apesar desse cenário adverso, é importante considerar que os efeitos não são exclusivamente negativos. Em contextos de instabilidade global, a elevação dos preços internacionais das commodities pode compensar parcialmente o aumento dos custos enfrentados pelos exportadores. Nesse contexto, a experiência recente do agronegócio brasileiro demonstra certa capacidade de adaptação: mesmo sob pressão de preços, o setor manteve desempenho robusto nas exportações, evidenciando sua resiliência estrutural (Brasil, 2026). Ainda assim, essa resiliência não elimina as fragilidades associadas à dependência logística e produtiva de regiões estratégicas, reforçando a necessidade de estratégias de mitigação no médio e longo prazo.
Diante desse conjunto de pressões logísticas, energéticas e produtivas, evidencia-se que a inserção do Brasil no comércio internacional, embora competitiva em termos de escala e eficiência agrícola, permanece altamente sensível a choques externos associados a gargalos estratégicos como o Estreito de Ormuz. Esses efeitos não apenas expõem vulnerabilidades estruturais da economia brasileira, mas também indicam limites importantes da atual configuração logística e produtiva do país. Com isso, torna-se fundamental avançar na análise de estratégias capazes de mitigar tais riscos, seja por meio da diversificação de fornecedores, do fortalecimento da infraestrutura logística ou da redução da dependência de insumos externos. A partir dessa perspectiva, a próxima seção examina as principais alternativas e políticas que podem ampliar a resiliência das exportações brasileiras diante de disrupções no cenário internacional.
4. ESTRATÉGIAS DE MITIGAÇÃO
Diante das vulnerabilidades impostas pelas disrupções no Estreito de Ormuz às exportações agrícolas e pecuárias brasileiras, a diversificação de rotas marítimas e de mercados de destino emerge como a estratégia de mitigação prioritária. Estudo recente aplicando o Método de Análise Hierárquica (AHP) com 32 especialistas em logística marítima identificou a diversificação de rotas de navegação como a estratégia de maior peso relativo entre as alternativas avaliadas, seguida da exploração de portos alternativos (KORAY; KAYA; KESKIN, 2025). No contexto brasileiro, isso implica o fortalecimento de corredores que contornem os principais gargalos geopolíticos, aproveitando rotas pelo Cabo da Boa Esperança ou por vias alternativas que conectem os portos nacionais a mercados na África, sudeste asiático e Europa sem trânsito pelo golfo pérsico. Paralelamente, a diversificação de mercados compradores, reduzindo a concentração excessiva nas exportações destinadas à China e ao Oriente Médio, confere ao agronegócio nacional maior capacidade de absorção de choques externos, distribuindo riscos ao longo de múltiplos destinos comerciais.
A melhoria da infraestrutura logística interna constitui condição necessária para que o Brasil possa responder com agilidade a qualquer reconfiguração das rotas internacionais. A literatura aponta de forma consistente que a competitividade das exportações agropecuárias brasileiras é diretamente limitada pelo déficit de infraestrutura nos modais de transporte, especialmente pela dependência excessiva do modal rodoviário, que responde por cerca de 65% do transporte de cargas no país (GOLÇALVES et. al., 2024). A subutilização dos modais ferroviário e hidroviário eleva os custos logísticos e fragiliza a capacidade de escoamento em períodos de alta demanda ou de crise. Kawano et al. (2012) argumentam que o equilíbrio da matriz de transportes, com ampliação do uso de ferrovias e hidrovias, aliado ao fomento de parcerias público-privadas para recuperação e manutenção da malha viária, constitui ação estrutural indispensável para aumentar a competitividade das cadeias agrícolas exportadoras. Investimentos na modernização e ampliação da capacidade portuária, principalmente nos terminais de Santos, Paranaguá e nos portos da região norte, são igualmente estratégicos para reduzir os gargalos de escoamento e posicionar o Brasil como fornecedor confiável em cenário de instabilidade global (BRITO; SILVA; LEÃO, 2023).
A gestão de riscos ao longo da cadeia de suprimentos representa outra dimensão crítica das estratégias de mitigação. Koray, Kaya e Keskin (2025) destacam que o investimento em digitalização e automação, por meio de tecnologias como inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e blockchain, aprimora significativamente a visibilidade da cadeia logística, permitindo decisões mais ágeis e fundamentadas em dados em situações de ruptura. No caso específico do agronegócio brasileiro, a adoção de sistemas integrados de rastreabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva não apenas viabiliza uma gestão de riscos mais eficaz, como também atende a exigências crescentes dos mercados importadores, especialmente europeus, que vinculam o acesso comercial ao cumprimento de padrões sanitários, ambientais e de rastreabilidade (KAWANO et al., 2012). A baixa coordenação entre os elos das cadeias agrícolas brasileiras, identificada como um dos principais gargalos estruturais do setor, amplifica a vulnerabilidade a choques externos e reforça a necessidade de sistemas de informação que permitam o monitoramento em tempo real dos fluxos de carga, dos preços de frete e das condições operacionais nos principais corredores de exportação.
A construção de relações sólidas com múltiplos fornecedores e operadores logísticos, combinada com a adoção de contratos flexíveis, confere ao setor exportador maior capacidade de adaptação frente a eventos disruptivos como os observados no Estreito de Ormuz. Koray, Kaya e Keskin (2025) apontam que o fortalecimento de parcerias estratégicas ao longo da cadeia logística reduz a dependência de pontos únicos de falha e amplia a resiliência operacional em contextos de alta incerteza geopolítica. No plano institucional, o fomento de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da infraestrutura logística e à diversificação da pauta exportadora é condição essencial que o Brasil consolide sua posição como fornecedor global de commodities agrícolas e pecuárias em cenários de crescente volatilidade nas rotas marítimas internacionais (GOLÇALVES et al., 2024; BRITO; SILVA; LEÃO, 2023). A articulação entre iniciativas governamentais, investimento privado e cooperação entre os elos da cadeia produtiva constitui, portanto, o caminho mais robusto para mitigar os efeitos das disrupções logísticas sobre a competitividade das exportações brasileiras.
5. CONCLUSÃO
Diante da análise desenvolvida ao longo deste artigo, evidencia-se que o Estreito de Ormuz constitui um dos principais chokepoints do comércio internacional contemporâneo, cuja instabilidade produz efeitos que extrapolam o setor energético e se estendem às cadeias logísticas e produtivas em escala global. Nesse contexto, ainda que o Brasil não dependa diretamente dessa rota para o escoamento de suas exportações, sua integração às cadeias globais de valor o torna sensível às disrupções ocorridas na região, sobretudo por meio do aumento dos custos de transporte, da volatilidade energética e do encarecimento de insumos estratégicos.
Assim, observa-se que tais impactos incidem de forma particularmente relevante sobre o agronegócio brasileiro, setor central para a balança comercial do país e altamente dependente de eficiência logística e insumos importados. A análise demonstra que a competitividade das exportações agrícolas passa a ser condicionada não apenas por fatores produtivos internos, mas também por dinâmicas geopolíticas externas, que afetam tanto a estrutura de custos quanto a previsibilidade das operações comerciais. Assim, a vulnerabilidade brasileira revela um padrão mais amplo de interdependência entre segurança logística, energia e desempenho econômico.
Dessa forma, conclui-se que a estabilidade de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz é fundamental para o funcionamento das cadeias globais de suprimentos e para a manutenção da competitividade de economias exportadoras. Ao mesmo tempo, as fragilidades evidenciadas ao longo do estudo reforçam a necessidade de estratégias de mitigação voltadas à diversificação de rotas e fornecedores, ao fortalecimento da infraestrutura logística e à redução da dependência de insumos externos. Tais medidas são essenciais para ampliar a resiliência da economia brasileira diante de um cenário internacional marcado por crescente instabilidade geopolítica e elevada interconexão entre mercados.
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