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A Pandemia da COVID-19 e a Influência da Globalização nos Impactos Sobre o Setor de Restaurantes

Por: Andressa Cardoso, Flávia Rodrigues e Isaque Augusto 



Resumo:


Este artigo analisa como a intensa globalização do século XXI promoveu uma maior interconexão entre indivíduos e facilitou a movimentação no comércio internacional, impulsionada por sistemas logísticos cada vez mais ágeis. Nesse contexto, as plataformas de entrega surgem como um exemplo marcante dessa constante inovação de mercado. Com o advento da pandemia de COVID-19, que provocou profundas transformações sociais e econômicas, o isolamento social impôs mudanças significativas no cotidiano. Assim, observou-se a necessidade de adaptação dos proprietários de restaurantes aos aplicativos de entrega como forma de manter seus negócios em funcionamento. Além disso, analisam-se as consequências dessa transição para o setor, destacando-se a integração entre os modelos presencial e digital no período pós-pandemia.


INTRODUÇÃO


A pandemia da COVID-19, anunciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 11 de março de 2020, estabeleceu-se como um dos maiores choques sociais, sanitários e econômicos da história. O vírus SARS-CoV-2, detectado inicialmente na cidade de Wuhan, na China, no final de 2019, alastrou-se em intervalo acelerado por todos os continentes, desafiando sistemas de saúde, cadeias produtivas e estruturas de governança mundial. O fenômeno revelou a interdependência entre nações, típica da era da globalização, ao mesmo tempo em que demonstrou vulnerabilidades geradas por décadas de integração econômica e mobilidade internacional.

Nos meses que se seguiram à declaração de pandemia, o sistema produtivo e alimentício em todo o mundo vivenciou diversos choques consequentes das medidas de contenção da doença, como restrições à circulação de pessoas, programas de subsídios e barreiras sanitárias. Essas políticas, ainda que cruciais para preservar a segurança alimentar e resguardar o contágio da doença, impactaram diretamente as cadeias de abastecimento de estabelecimentos de serviços de comida e produtos relacionados, alterando o fluxo local e se expandindo no comércio internacional, assim como afetando setores vinculados, como o de bares e restaurantes.


GLOBALIZAÇÃO NO SÉCULO XXI E O DESENVOLVIMENTO DE APPS DELIVERIES NO MUNDO


Nunca o termo “Globalização” esteve tão presente na vida social. As Grandes Navegações deram início a uma era de interconexão entre diversas áreas do globo terrestre, mas foram superadas pelo advento da Internet que, com cliques repentinos, conectam bilhões de indivíduos separados por oceanos e continentes. Nesse sentido, a tecnologia digital pode ser entendida como um catalisador para o fenômeno em questão, pois os novos aparatos eletrônicos e tecnologias como o 5G rompem barreiras culturais, políticas e econômicas amplificando a interação mundial. Aliado a isso, o desenvolvimento de sistemas logísticos mais rápidos reduzem significativamente o tempo de movimento, tanto de pessoas quanto de mercadorias. As primeiras são impactadas pelas novas formas de pagamento, em que o dinheiro físico dá lugar às transações digitais, bem como as novas modalidades de serviços e produtos, enquanto as segundas são enviadas para todos os cantos do mundo e monitoradas diretamente por novos sistemas de rastreamento. Tudo isso, amparado pelas ferramentas eficazes do marketing, atingem e criam as demandas internacionais e movimentam bilhões de dólares, dinamizando o comércio internacional.

Diante desse cenário, que se modifica constantemente, a globalização também alterou a forma como os indivíduos atuam no sistema internacional de comércio, em que atender de forma física não é mais suficiente, sendo necessária a adaptação de empresas e de empreendedores às plataformas online. Isso se deve a rápida popularização das tecnologias de comunicação, que foram fundamentais para o desenvolvimento da economia mundial. Tal desenvolvimento é observado na integração internacional de bolsas de valores e de bancos, no espraiamento das empresas multinacionais, no aumento da circulação de capital, na comunicação de massas e na oportunidade para vendedores ampliarem sua parcela de lucro por meio de negócios inovadores dentro da economia local, nacional e global. Dessa forma, adaptar-se às novas interações econômicas tornou-se crucial para a sobrevivência de empresas no contexto da livre concorrência.

Ao falar dessas adaptações, cabe mencionar o mercado internacional de aplicativos de entrega hiperlocal, ou seja, a rede de plataformas que conecta consumidores e vendedores em escala local para viabilizar as entregas a domicílio. Segundo estudos, esse setor foi avaliado em US$2,09 bilhões em 2024, e previsões apontam que atingirá US$10 bilhões até 2032, sendo esse crescimento consequência da adoção de serviços que precisam da tecnologia para serem facilitados (DATA, 2024). Esses serviços englobam a compra online de comidas, medicamentos e produtos, seguida pela entrega a domicílio que, na visão dos consumidores, soluciona rapidamente as necessidades diárias, ao invés de se deslocar até uma loja física, poupando tempo. Outro ponto digno de atenção é a penetração dessas plataformas em zonas urbanas, as quais representam cerca de 70% das entregas realizadas pelos aplicativos de delivery no planeta (ROMANO, 2021).

Com isso, as perspectivas para o mercado de delivery crescem e estimulam a adaptação de mais empresas a essa nova modalidade. A Globalização provou-se mais uma vez capaz de transformar as sociedades e as relações econômicas, as quais hoje são mergulhadas no universo das tecnologias digitais. Entretanto, o cenário pode variar de acordo com o Estado que se avalia, o Brasil, por exemplo, se tornou um solo fertil para a penetração de grandes empresas do setor de entregas tanto estrangeiras, como o iFood e Rappi, quanto nacionais, como o Zé Delivery. A presença e a popularização desses aplicativos de entrega foram impulsionados pela pandemia, em que atingiram números exorbitantes, haja vista a parcela de 80% do mercado nacional de entregas controlados pelas mãos do iFood (Pedrosa, 2025).


CONTEXTUALIZAÇÃO DE COMO SURGIU A PANDEMIA E SEUS IMPACTOS NO COMÉRCIO

O advento da COVID-19 trouxe um conjunto de desafios econômicos que excedeu o campo da saúde pública e atingiu com rigidez setores veementemente dependentes do consumo presencial e da circulação de pessoas. Em especial, o setor de restaurantes foi um dos mais afetados, tanto pelo fechamento impreterível de estabelecimentos durante os períodos de isolamento quanto pelas mudanças de comportamento do consumidor. A retração da demanda, as restrições sanitárias e os obstáculos de adaptação a novas formas e modelos de serviço, como o delivery e o take away, modificaram diretamente as dinâmicas de procedimentos e a sustentabilidade dessas atividades.

A globalização, enquanto fenômeno multiforme, realizou um esforço duplo nesse contexto. Por um lado, a profunda conectividade operou para a ágil disseminação do vírus, reforçada pelo transporte aéreo, pelas cadeias de suprimento e pelos fluxos migratórios. De outro, a mesma rede global viabilizou respostas sistematizadas, desde o compartilhamento de dados até a distribuição de novas adaptações e a digitalização de serviços. Assim, a pandemia não apenas demonstrou os paradoxos do mundo multinacionalizado, mas também estimulou processos já em curso, como a transformação digital, a reorganização de cadeias produtivas e a reformulação dos padrões de consumo.

Na esfera do setor de restaurantes, essa influência foi singularmente evidente. A globalização havia, precedentemente, ampliado o intercâmbio cultural e gastronômico, proporcionando um mercado mais dinâmico e diversificado, subordinado tanto ao turismo externo quanto aos insumos importados. Com o fechamento das divisas territoriais e a brusca ruptura nas cadeias logísticas, muitos negócios viram-se inabilitados de manter cardápios convencionais e padrões de oferta clássicos. Além disso, as restrições de mobilidade restringiram abruptamente os movimentos de clientes, provocando a falência de centenas e até milhares de pequenos empreendedores. O setor necessitou reconstituir-se em ritmos céleres, adotando tecnologias de atendimento remoto, plataformas digitais e estratégias de fidelização que preservaram o vínculo com o consumidor.

Nesse cenário de crise, o Brasil atuou com pertinente celeridade no tocante às políticas comerciais canalizadas ao enfrentamento da COVID-19. O país comandou o número de notificações sobre medidas comerciais e administrativas enviadas à Organização Mundial do Comércio (OMC), em cumprimento aos Acordos de Barreiras Técnicas (TBT) e Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS). Em divergência com as condutas de vários países que decretaram restrições às exportações e importações, o Brasil também efetivou medidas de liberalização, favorecimento e flexibilização de quesitos comerciais, buscando amenizar os impactos da pandemia sobre suas cadeias produtivas e de abastecimento, consequentemente permitindo que restaurantes pudessem atuar com leves preocupações acerca das variações de preço e restrições mercantis.

Esse papel foi apoiado tanto pelo exercício doméstico quanto internacional do governo brasileiro. No âmbito nacional, aplicou-se uma política dinâmica e ponderada que viabilizou a continuidade de parte da atividade produtiva básica. Na seara da política externa, notabilizaram-se as ações voltadas a garantir o desenvolvimento do comércio agrícola e alimentar, salvaguardando o fornecimento de alimentos seguros e sustentáveis ao mercado interno e externo. Como elemento dessas diligências, houve também o fomento às plataformas de comércio eletrônico, que passaram a preencher matriz primordial na manutenção das atividades econômicas e no escoamento de produtos durante o isolamento social.

Além disso, a adoção intensa de tecnologias digitais converteu de forma permanente o comportamento do consumidor. A indústria de restaurantes, impulsionada por plataformas digitais e pelos novos modelos de consumo, foi uma das saídas para o não esgotamento de centenas de empreendimentos. Adquirir refeições online, especialmente por meio de aplicativos, tornou-se uma chance para a continuidade da atividade dessas organizações e passou a incorporar o cotidiano de grande parte dos comércios e da população brasileira, caracterizando-se como uma das heranças econômicas e culturais mais notáveis da época pandêmica.


ADAPTAÇÃO E OS NOVOS MODELOS QUE RESTAURANTES ADERIRAM NO CONTEXTO PÓS-PANDEMIA


Um exemplo claro desse processo é o crescimento dos aplicativos de delivery, que já apresentavam, antes da pandemia, um avanço significativo na sociedade devido à sua praticidade para os consumidores. Contudo, com o isolamento social, esses serviços experimentaram um novo e intenso boom econômico. De acordo com Ingrid Devisate, diretora executiva do Instituto FoodService Brasil, “a pandemia apenas impulsionou um movimento que já era observado no mercado. O delivery facilita a vida de quem consome e fortalece a cadeia da alimentação fora do lar”. Nessa perspectiva, apresentou-se uma digitalização forçada do setor de food service após a pandemia, transformando o modelo de negócio irresistível para o mercado internacional (KERCHER, 2022).

Com esse catalisador para a oferta e demanda de serviços onlines, esse novo movimento de comércio eletrônico (e-commerce) fez com que os hábitos alimentares da população mundial se transformassem, visto que a forma mais eficiente e segura de obter uma alimentação, muitas vezes fora da rotina, passou a ser por meio do uso de aplicativos de delivery. Portanto, os restaurantes observaram a necessidade de operar seus serviços com essas plataformas a fim de deter a sobrevivência de seus negócios nesse momento de crise (FINKLER; ANTONIAZZI; DE CONTO, 2020). Assim, com o aumento global de 47% de entregas por meio de plataformas de delivery, entende-se que a pandemia ajudou para a digitalização dos setores de restaurantes (YEZHENG LI ET AL., 2022).

Para entender mais dessa transformação, é possível analisar o setor tecnológico no mercado alimentício. Antes da pandemia, em 2019, o mercado global de Online Food Delivery (OFD) gerava aproximadamente US$107 bilhões. Observando a rápida digitalização, analistas estimaram que essa receita subiria para U$182 bilhões em 2024. No entanto, a aceleração pós-pandemia superou drasticamente todas as expectativas do mercado, assim o valor real da receita global de OFD em 2024 foi de, aproximadamente, U$288,84 bilhões (GRAND VIEW RESEARCH, 2024).

Entretanto, essa adequação apresentou alguns desafios para os donos de restaurantes que ainda não haviam aderido aos aplicativos de entrega, principalmente aqueles que realizavam sua administração em bases tradicionais. Entre os aspectos negativos apontados por donos de empresas alimentícias em diversos lugares do globo, como Nova York, Londres e São Paulo, a taxa alta de entrega para para as plataformas digitais se tornou um problema. Estipulando por entrega, as taxas se estabelecem por volta de 27%, diminuindo o preço se o local obtiver um entregador próprio. Com isso, apresenta-se um desafio na busca entre gerar lucros e a funcionalidade do delivery, visto que ele se apresenta efetivo para o comércio se a demanda de um restaurante for alta. Além disso, outra questão enfrentada seria a falta de transparência entre os aplicativos e os restaurantes, não sabendo se suas empresas irão ser prejudicadas no dia pela sua baixa posição na área de busca, muitas vezes, afetando o lucro esperado (ABRASEL, 2020).

A partir dessa criação de dependência de plataforma global de delivery entre os donos de restaurantes, foi necessário realizar algumas gestões no seu cotidiano a fim de impactar o primeiro contato físico do cliente com o produto. Observando exemplos, as embalagens precisam demonstrar qualidade com o intuito de validar ao público o valor da empresa, diante dessa separação social. Além do mais, em um mundo atual em que as mudanças climáticas e o aquecimento global entram em foco, a sustentabilidade é um aspecto que muitos consumidores buscam adquirir em sua vivência. Diante disso, a escolha de lugares que prezam a sustentabilidade entra em questão na hora de escolher o pedido (IFOOD INSTITUCIONAL, 2025).

Ademais, o Marketing se tornou ferramenta de necessidade para gerenciar suas reputações dentro dos aplicativos. Diante do mundo globalizado, a internet e a fácil comunicação entre pessoas de diversas áreas do mundo permitiram que os restaurantes utilizassem desse engajamento entre as pessoas para visibilizar os seus comércios (ITABORAY; SILVA, 2021). Em vista de maior participação nas redes sociais, como Instagram e Facebook, apresentou-se que 40% dos respondentes afirmam que seu público-alvo aumentou após a utilização das redes sociais, e 28% relataram que esse aumento foi exponencial. Portanto, esse crescimento no rendimento mostra a criação de estratégias com o auxílio das redes sociais para o alcance de muitos clientes, se assim forem utilizadas de maneira eficaz (SANTOS; BOGDEZEVICIUS, 2023).

Diante dessa preferência de praticidade dos clientes, o comércio internacional no segmento dos restaurantes teve uma mudança ao apresentar a criação de Dark Kitchens, unidades sem vitrines e espaços de alimentação voltadas para a entrega. Mesmo já estando em ascensão no setor de comidas, a pandemia fez com que esses estabelecimentos disparassem. Outro fator que levou ao sucesso foi a confiança dos consumidores, de acordo com a pesquisa da Deloitte, “79% dos entrevistados estavam abertos a fazer pedidos em dark kitchens. Este relatório marcou um aumento de 20% em relação ao ano anterior e um salto de 32% em relação aos dois anos anteriores. Esse sistema de empreendedorismo apresenta alta relevância no mercado atual, com uma expectativa de crescimento (DELIVERECT, 2025).

Com a modificação da sociedade em relação ao vírus e a crescente inclusão da vacina, que levou a diminuição de casos, os restaurantes começam a adotar um novo estilo: o modelo híbrido, ou Omnichannel. Esse novo sistema visa a integração que se apresentava antes e durante a pandemia, permitindo que o consumidor tenha a possibilidade de ter experiência coesa, realizando suas refeições no local ou pedindo sua alimentação online. Ao disponibilizar essas duas dinâmicas, os empresários utilizam essas estratégias a fim de se destacar no mercado, em comparação a seus concorrentes. Assim, a incorporação apresenta uma flexibilidade entre aqueles que ainda procuram um estilo mais convencional e aqueles que preferem a facilidade e rapidez (SUZUKI, 2022).

Portanto, o mundo globalizado permite que essas novas tecnologias sejam expandidas e aderidas internacionalmente. No caso dos restaurantes, esse conhecimento sobre aplicativos delivery em um momento de crise permitiu que empresários modificassem seus negócios a fim de se sustentarem. Como consequência, novos modelos adentraram e intensificaram o comércio, como por exemplo, as Dark Kitchens, que mostraram como a lógica do e-commerce transnacional está transformando a infraestrutura física de alimentação no mundo todo. Diante disso, analisando uma possibilidade para o futuro desse comércio, é de se esperar que a área do food service se desenvolva ainda mais dentro do online, instaurando movimentos e ideias que estejam associadas a sua aprimoração.


CONCLUSÃO


Diante do exposto, entende-se que a inovação tecnológica propagada pela globalização impactou seriamente a forma como os donos de restaurantes atuam dentro da economia nacional e internacional. Depreende-se também que essas novidades, aliadas ao contexto da pandemia de COVID-19, modificaram sobretudo o comportamento dos consumidores, os quais optam cotidianamente mais pelo sistema de delivery que, por sua vez, fortalece o sistema de e-commerce.

Nesse sentido, o exposto no corpo do artigo permite que sejam pensados novos cenários para essa questão da interligação entre os restaurantes e as tecnologias digitais, bem como a mudança de comportamento dos clientes ao redor do globo. Entender os impactos das novas tecnologias sobre o funcionamento da sociedade é crucial para elencar os pontos positivos e negativos desses eventos. Os primeiros remontam a rapidez e flexibilidade que os aplicativos de delivery proporcionam aos fregueses, como novas modalidades de pratos e um ambiente mais cômodo para o acesso a esses produtos. Também é válido ressaltar os pontos positivos para os vendedores, que conseguiram emergir dentro do cenário caótico da pandemia e manter de pé seus negócios, obtendo novos picos de vendas e lucro. Por outro lado, os segundos abordam a questão vivida por muitos empreendedores que detinham sua organização em bases tradicionais e, por não terem dados específicos no primeiro momento sobre sua margem de lucro, optaram por simplesmente fechar as portas. Esse fato, evidencia a realidade dual da tecnologia, em que inclui os que se adaptam a ela, mas exclui os que não se enquadram nos modelos digitais.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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