FINTECHS E PAGAMENTOS INTERNACIONAIS: SIMPLIFICANDO TRANSAÇÕES GLOBAIS
- Liga de Comércio Internacional PUC-Rio

- 19 de mai.
- 13 min de leitura
Por: Andressa Cardoso, Amelie e Flávia Rodrigues.

Resumo:
As fintechs transformam os pagamentos internacionais ao utilizar tecnologias digitais que tornam as transações globais mais rápidas, acessíveis e menos burocráticas. Soluções baseadas em blockchain, redes peer-to-peer e inteligência artificial reduzem custos, agilizam transferências e ampliam a segurança financeira. Além disso, plataformas digitais oferecem serviços multimoedas e câmbio comercial em tempo real, facilitando as transações transfronteiriças. O avanço dessas empresas também fortalece a inclusão financeira e amplia a participação de pequenos negócios no comércio internacional. Apesar das vantagens, persistem desafios ligados à regulamentação, segurança cibernética, Open Finance e CBDCs, que influenciam o futuro do sistema financeiro digital.
1. INTRODUÇÃO
Os avanços tecnológicos têm atingido todas as áreas do mercado internacional, não sendo diferente quando se trata do mercado de transações. Conhecido historicamente como um mercado tradicional e burocrático, o mundo globalizado se depara, atualmente, com o surgimento e a expansão da atuação das fintechs e de suas soluções para diversas áreas financeiras. Esse processo de transformação digital modificou expressivamente o funcionamento do sistema financeiro, em especial diante da progressiva demanda por serviços mais rápidos, acessíveis e eficientes no comércio internacional.
A digitalização dos serviços financeiros tem tornado as operações mais acessíveis, rápidas e personalizadas (Diniz, 2021). Como resultado desse processo, as fintechs passam a ocupar posição de destaque ao aprimorar soluções tecnológicas direcionadas para a simplificação de operações financeiras nacionais e internacionais.
Por outro lado, as grandes empresas, já operantes e consolidadas no mercado, encontram-se diante da necessidade de se adequarem e se adaptarem às novas exigências do mercado. Essa necessidade decorre, sobretudo, da ampliação da concorrência no setor financeiro e das mudanças na dinâmica que passaram a exigir maior praticidade, transparência e agilidade nos serviços bancários.
Outra característica das inovações disruptivas é que as tecnologias que as sustentam são menos custosas, estruturalmente mais simples e mais acessíveis (Christensen, 2012). O mesmo se observa na indústria bancária, em que os pagamentos tradicionais passam a dividir espaço com instituições digitais capazes de oferecer movimentações financeiras mais simples, baratas e acessíveis. Dessa forma, as fintechs refletem um modelo de inovação que contesta as estruturas tradicionais do sistema financeiro e impulsiona modificações na prestação de serviços financeiros globais.
Pensar o espaço financeiro implica considerar sua multiplicidade de inter-relações com o comércio. Nesse sentido, são as múltiplas topologias do sistema financeiro e das finanças que colaboram para a fluidez do comércio e de suas transações no território. Com o desenvolvimento da globalização econômica e da economia digital, os fluxos financeiros internacionais passaram a depender cada vez mais de plataformas tecnológicas aptas a atuar em tempo real e com menores custos operacionais.
Diante do exposto, o artigo busca responder como as fintechs se configuram nas transações internacionais no comércio internacional. Além disso, busca-se compreender de que forma os pagamentos internacionais estão alterando a dinâmica competitiva do setor tradicional.
A relevância acadêmica deste trabalho justifica-se pela atualidade do tema e pelo avanço exponencial das fintechs no mercado financeiro. Adicionalmente, o estudo apresenta relevância diante do crescimento das transações digitais globais e da necessidade de sistemas financeiros mais eficientes e menos burocráticos.
Portanto, a seguir será apresentado o referencial teórico e a literatura correspondente para todo o embasamento científico.
2. PAGAMENTOS INTERNACIONAIS TRADICIONAIS
As fintechs vêm se firmando ainda mais no mercado. Essa consolidação está diretamente ligada à crescente digitalização das relações econômicas e à necessidade de modernização dos sistemas financeiros nacionais e internacionais. A crescente digitalização dos serviços bancários e a necessidade de prestação de serviços de forma mais transparente e eficiente, a um custo mais baixo, tornaram-se questões primordiais entre as instituições financeiras, demonstrando a relevância das fintechs para esse setor (Chishti; Barberis, 2017).
As fintechs são reconhecidas como uma das inovações mais importantes do setor financeiro e evoluem rapidamente, impulsionadas pela economia de compartilhamento, por regulamentação favorável e pela tecnologia da informação (Lee; Shin, 2018). São soluções financeiras fundadas em plataformas de TI, caracterizando a união entre tecnologia e serviços financeiros como um novo modelo de negócios disruptivo para o setor.
De acordo com Pascual e Ribeiro (2018), fintech é um termo usado para caracterizar empresas que utilizam a tecnologia da informação para fornecer serviços e soluções financeiras com determinadas particularidades. Embora sejam consideradas tendências atuais, seu surgimento não é recente. Segundo Hochstein (2015), o termo fintech surgiu nos anos 1990, quando a Citigroup (na época Citicorp), uma das maiores empresas de serviços financeiros do mundo, nomeou seu projeto “Financial Services Technology Consortium” como fintech, buscando superar a reputação de resistência à colaboração tecnológica da época.
No cenário de complementaridade, apesar de os bancos tradicionais já disporem de tecnologias avançadas para assegurar o acesso e a segurança às transações financeiras, as fintechs passaram a explorar oportunidades vinculadas à conveniência e à inovação. Segundo Alecrim (2016), essas empresas aproveitam recursos tecnológicos amplamente difundidos para criar metodologias, processos e ferramentas que agilizam e facilitam o acesso aos serviços financeiros. O resultado é percebido na condução financeira por meio da praticidade, da burocracia reduzida, dos menores custos e do maior controle sobre as operações financeiras.
A grande vantagem dessas tecnologias disruptivas é que são capazes de operar mesmo com pouco ou nenhum investimento em ativo físico, uma vez que seu produto central é uma plataforma digital disponibilizada, muitas vezes, por meio de dispositivos já utilizados mundialmente.
Segundo os estudos de Faria (2018) e Bueno (2019), as principais diferenças entre uma fintech e um banco tradicional estão na estrutura mais enxuta, na terceirização de processos, na maior automatização e na menor burocracia. Além de serem menos burocráticas, as fintechs possuem taxas mais baixas se comparadas às utilizadas pelos bancos tradicionais, o que as torna mais atrativas e competitivas.
Dentro dessas estruturas financeiras sobressaem-se os bancos, principais operadores das finanças. Eles realizam intermediação financeira por meio de empréstimos, depósitos, oferta de crédito e demais operações ligadas ao comércio e ao câmbio (Santos; Silveira, 2011). Entretanto, os bancos foram construindo sistemas de dados e infraestrutura sólida ao longo dos anos, alguns já obsoletos, mas eficazes à época de sua criação. Isso cria barreiras à migração para modelos de negócios mais modernos, particularmente diante do crescimento das relações comerciais que prezam pela utilização de serviços financeiros digitais em substituição aos tradicionais.
Segundo Barbosa (2018), o relacionamento entre fintechs e serviços tradicionais pode ser dividido em quatro fases: rejeição, atenção, aproximação e colaboração. Inicialmente, os bancos não consideravam as fintechs uma ameaça relevante. Posteriormente, passaram a observar o crescimento dessas empresas no cenário internacional, aproximam-se delas por meio de parcerias e, por fim, consolidaram relações de colaboração.
3. O PAPEL DAS FINTECHS NA SIMPLIFICAÇÃO DAS TRANSAÇÕES GLOBAIS
O termo Fintechs, vem da junção de dois termos, financial (finanças) e technology (tecnologias), referindo-se a empresas de base tecnológica que oferecem soluções em serviços financeiros. Os seus produtos e serviços desenvolvidos são completamente digitais e, diante disso, se diferenciam dos modelos tradicionais existentes no mercado. Essas companhias, geralmente startups, pensam e estabelecem soluções para facilitar a rotina da população, tornando os serviços bancários acessíveis sem custos de entrada, e práticos com soluções ágeis (Rios, 2025). Existe uma diferença importante entre as Fintechs e os Bancos Digitais. A primeira refere-se a uma empresa, mas não necessariamente um banco, oferecendo serviços apenas em áreas específicas limitadas, como, por exemplo, câmbio, crédito e investimentos. Já o segundo termo a instituições financeiras completas e autorizadas a operar pelo Banco Central, a principal autoridade monetária do país. Além disso, esses bancos detêm uma facilidade e agilidade de operar no universo digital, sem agências físicas, permitindo inovações constantes. Assim, observa-se uma similaridade com os bancos tradicionais por oferecerem possibilidades parecidas (Rios, 2025).
Assim, com o intuito de entregar facilidade e tecnologia, as fintechs conseguem eliminar a necessidade de intermediários financeiros tradicionais, principalmente através do uso da tecnologia blockchain. Esse sistema facilita a transferência internacional ao utilizar uma rede descentralizada peer-to-peer (ponto a ponto), onde essa transição de valor ocorre diretamente para os usuários envolvidos, sem uma autoridade central e um longo período para liderar e organizar essa ação. Dentro desse modelo, a transação é transmitida para a rede e validada de forma independente pelos participantes, por meio de algoritmos matemáticos e um mecanismo chamado criptográficos de consenso (Weiyi Cai, 2018).
Após aprovada, essa operação é registrada permanentemente em um livro-razão público distribuído, conhecido como “public ledger”, o que gera uma confiança no sistema, que, anteriormente, era realizado apenas pelo banco. Ao ter conhecimento do histórico de transações seguro e transparente, as fintechs reduzem as camadas de intermediação, acelerando as operações financeiras e diminuindo os custos. Diante disso, esse tipo de operação permite uma eficiência operacional, trabalhando com uma automação de processos, substituindo gradualmente o trabalho manual. Além disso, com a maior desenvolvimento da inteligência artificial nas rotinas pessoais e dentro do mercado de trabalho, esse processo de pagamentos pode ser facilitado cada vez mais (Weiyi Cai, 2018).
Adentrando na área transfronteiriça, as fintechs também facilitam os pagamentos internacionais entre um pagador e um beneficiário, localizados em países diferentes, abrangendo desde remessas entre pessoas físicas até pagamentos globais entre empresas. Essas transações, conhecidas como cross-border payments, envolvem a conversão entre moedas, taxas cambiais e a necessidade de conformidade regulatória em múltiplas jurisdições, fatores que, como exposto acima, podem ter processos lentos e caros, dificultando as relações comerciais internacionais. Assim, como o aumento da migração global, simultaneamente com o desenvolvimento e popularidade do comércio eletrônico, a demanda por pagamentos transfronteiriços rápidos, seguros e acessíveis (ETBFSI, 2021).
Os serviços desse tipo de pagamento contribuem para a inclusão financeira, oferecendo serviços bancários a populações sem contas bancárias tradicionais, permitindo que participem de remessas e pagamentos internacionais. Esse tipo de pagamento fintech está mudando como o dinheiro é enviado globalmente por consumidores e empresas, utilizando inovações e tecnologia para tornar os pagamentos internacionais mais eficientes, acessíveis, seguros e conforme as regulamentações. Empresas renomadas como Wise e Revolut oferecem plataformas fáceis de utilizar que permitem que tanto pessoas físicas quanto jurídicas transfiram dinheiro internacionalmente rapidamente e custos reduzidos em comparação aos métodos tradicionais. O sistema peer-to-peer além de ser utilizado para deixar a transição mais rápida e prática, permite reduzir os custos associados à conversão de moeda (ETBFSI, 2021).
Entendendo através de exemplos, a Wise, fundada em 2011 no Reino Unido, tem o objetivo de facilitar pagamentos internacionais ao oferecer para os usuários conta multimoedas que utilizam o câmbio comercial real, esse sistema torna as transações mais baratas e ágeis. Nas ações no banco, o cartão de Débito Internacional possibilita pagar compras em lojas físicas e onlines com saldo em moeda local, adiciona-se dinheiro à conta instantaneamente via Pix e, além disso, permite manter saldo em mais de 40 moedas e realizar pagamento em mais de 160 países. A grande acessibilidade da plataforma traz uma alta quantidade de demanda para a empresa, atingindo por volta de 16 milhões de usuários no mundo, de acordo com pesquisas realizadas em 2023 (Marcos, 2023).
A Índia, principalmente mobilizando através de seu Banco Central (RBI) , se mostra disposta a trabalhar em desenvolvimentos nessa área a fim de solucionar problemas atuais com pagamentos internacionais. A moneyHop é um exemplo de empresa regulamentada pelo RBI, que visa ser uma plataforma de remessas internacionais instantânea, econômica e fácil. O intuito é que seus clientes precisem apenas de 4 etapas para concluir a transição: selecionar o destino, a moeda e o valor, realizar uma confirmação digital, adicionar os dados do destinatário e efetuar o pagamento. Além disso, essa fintech está desenvolvendo um cartão global único, uma conta global única e uma plataforma de mobile banking multimoeda, permitindo uma melhor experiência ao cliente (ETBFSI, 2021).
Portanto, a ascensão das fintechs representa uma mudança no sistema de pagamentos internacionais, utilizando a tecnologia blockchain para trazer agilidade e transparência aos clientes. Como observado nos casos da Wise e moneyHop, a simplificação das transações transfronteiriças é uma ferramenta de democratização econômica. Ao reduzir barreiras de custos transacionais através do uso de redes peer-to-peer e automação de inteligência artificial, essas empresas permitem que indivíduos e pequenos negócios participem ativamente do comércio eletrônico e da economia global. Assim, a consolidação do papel das fintechs indicam uma conexão constante entre fronteiras monetárias, diminuindo a participação de autoridades reguladoras e instituições tradicionais e aumentando um mercado mais rápido, ágil e inclusivo (Weiyi Cai, 2018; ETBFSI, 2021).
4. DESAFIOS E PERSPECTIVAS FUTURAS
O crescimento acelerado das fintechs no sistema financeiro internacional trouxe mudanças significativas para as transações globais, porém também ampliou desafios relacionados à regulamentação, à segurança digital e à competitividade do setor. À medida que essas empresas expandem suas operações para diferentes países, torna-se necessário lidar com legislações específicas sobre pagamentos internacionais, proteção de dados e prevenção à lavagem de dinheiro. Segundo Arner, Barberis e Buckley (2016), o avanço das fintechs pressiona governos e bancos centrais a desenvolver novos modelos regulatórios capazes de acompanhar a velocidade da inovação tecnológica sem comprometer a estabilidade financeira internacional.
Outro fator importante refere-se à segurança cibernética. O aumento das transações digitais internacionais elevou também os riscos de fraudes eletrônicas, ataques hackers e vazamento de informações financeiras. Como essas empresas operam majoritariamente em ambiente virtual, a confiança dos usuários depende diretamente da eficiência dos sistemas de proteção de dados e monitoramento de operações suspeitas. Dessa forma, fintechs vêm investindo continuamente em criptografia avançada, autenticação biométrica e inteligência artificial para fortalecer a segurança das plataformas digitais e reduzir riscos operacionais (Nicoletti, 2017).
Além disso, a fragmentação tecnológica entre países representa outro desafio para a expansão dos pagamentos digitais internacionais. Muitos mercados ainda possuem infraestrutura limitada de internet e baixo acesso a serviços bancários digitais, dificultando a implementação de soluções financeiras mais modernas. Em países em desenvolvimento, especialmente em regiões periféricas, a exclusão digital reduz a capacidade de integração econômica ao sistema financeiro global. Segundo Gomber, Koch e Siering (2018), o crescimento sustentável das fintechs depende não apenas de inovação tecnológica, mas também da ampliação do acesso digital e da modernização das estruturas financeiras nacionais.
Dentro desse cenário, a inteligência artificial vem assumindo papel central na evolução do setor financeiro digital. Ferramentas automatizadas de machine learning permitem análise de crédito mais rápida, identificação de padrões de consumo e detecção de movimentações financeiras suspeitas em tempo real. Além disso, os sistemas inteligentes possibilitam maior personalização dos serviços financeiros, oferecendo soluções adaptadas ao perfil de cada usuário. Essas tecnologias contribuem para a redução de custos operacionais e para a melhoria da eficiência das transações internacionais (Philippon, 2019).
Outro elemento relevante para o futuro das fintechs é o avanço das moedas digitais emitidas por Bancos Centrais, conhecidas como CBDCs (Central Bank Digital Currencies). Países como China, Índia e membros da União Europeia já realizam estudos e testes voltados à implementação dessas moedas digitais oficiais. O objetivo principal é facilitar pagamentos internacionais instantâneos, reduzir custos de intermediação bancária e aumentar o controle sobre fluxos financeiros globais. Segundo Auer, Cornelli e Frost (2020), as CBDCs possuem potencial para transformar o sistema monetário internacional ao integrar tecnologias digitais diretamente às estruturas financeiras estatais.
Além das moedas digitais, o fortalecimento do Open Finance também tende a modificar profundamente a dinâmica financeira internacional. Esse modelo permite o compartilhamento padronizado de dados financeiros entre diferentes instituições autorizadas pelos usuários, promovendo maior competitividade e inovação no mercado. Com isso, fintechs conseguem desenvolver produtos mais personalizados e eficientes, ampliando o acesso ao crédito, investimentos e serviços de pagamentos internacionais. Esse movimento reforça a integração entre bancos tradicionais e empresas tecnológicas, consolidando relações de colaboração em vez de competição direta (Zetzsche et al., 2020).
Outro aspecto relevante está relacionado à crescente adoção da tecnologia blockchain nas operações financeiras internacionais. Essa tecnologia permite registrar transações em redes descentralizadas, garantindo maior transparência, rastreabilidade e redução de intermediários nas operações cambiais. Além disso, o blockchain possibilita a liquidação mais rápida de pagamentos internacionais, reduzindo custos operacionais e aumentando a eficiência das transações globais. A descentralização promovida por essas plataformas digitais representa uma transformação estrutural no funcionamento tradicional do sistema financeiro internacional (Tapscott; Tapscott, 2016).
Dessa maneira, observa-se que os desafios enfrentados pelas fintechs estão diretamente ligados à adaptação regulatória, à segurança digital e à ampliação da infraestrutura tecnológica global. Entretanto, as perspectivas futuras indicam crescimento contínuo do setor, impulsionado pela inteligência artificial, blockchain, Open Finance e moedas digitais estatais. Assim, as fintechs tendem a consolidar sua participação nas transações internacionais, promovendo um sistema financeiro cada vez mais digital, automatizado e integrado às demandas da economia global contemporânea.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do que foi apresentado, o artigo analisa a transformação que o setor financeiro está passando, impulsionada pela ascensão das fintechs e a digitalização dentro da economia global. Ao longo do trabalho, observou-se que essas fintechs buscam trazer uma alternativa tecnológica, conciliando seus desenvolvimentos com os pagamentos de bancos tradicionais, oferecendo soluções mais ágeis, transparentes e com menor custo financeiro para as transações de pagamentos, principalmente na área internacional (ETBFSI, 2021).
Empresas que realizam a desvinculação de métodos financeiros se mostram em vantagem competitiva dentro do mercado de pagamento internacional. Através do uso de tecnologias como o blockchain e redes peer-to-peer, as fintechs conseguem reduzir o tempo de diminuição de dias para minutos e democratizar o acesso ao câmbio comercial. Exemplo citados como a da Wise e da moneyHop, permitem um melhor entendimento sobre a simplificação operacional desse sistema e da inclusão financeira de pequenos atores e médias empresas dentro do comércio global, trabalhando para a consolidação da economia transfronteiriça, que, anteriormente, era uma área restrita para grandes corporações (Weiyi Cai, 2018; Marcos, 2023).
Adentrando nas perspectivas futuras, observou-se que esse crescimento também apresenta desafios. A necessidade de uma regulação que acompanhe a velocidade da inovação, a mitigação de riscos cibernéticos e a superação da fragmentação tecnológica entre as nações são limites para a consolidação do setor. Adicionalmente, o avanço das CBDCs e o fortalecimento do Open Finance, indicam uma integração entre as infraestruturas estatais e as plataformas digitais privadas, sugerindo que a cooperação será um ponto importante no futuro do sistema financeiro (Zetzsche et al., 2020).
Portanto, as fintechs reconfiguraram a dinâmica do setor tradicional, levando as instituições bancárias consolidadas a modernizarem seus processos, além de permitir um aumento nas transações transfronteiriças promovendo um sistema financeiro inerentemente global, digital e centrado na eficiência operacional.
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